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A bateria é o mais político de
todos os instrumentos. Em primeiro lugar, porque retém uma ancestralidade que
mais nenhum instrumento possui, afirmando-se, por isso mesmo, como uma marca de
identidade. Porque, enfim, fala a única linguagem realmente universal: os
padrões rítmicos repetitivos, mais do que os melódicos, têm a idade do Homem.
Antes das primeiras palavras terem ganhado forma, foi no ato primitivo de chocar
pedra com pedra, madeira com pedra, madeira com madeira, ou madeira com pele que
vibraram os primeiros sentidos profundos de uma linguagem sônica que ainda hoje
perdura. Um instrumento sem limites em termos de técnicas, timbragem e montagem
que dita o ritmo e dá vivacidade à melodia. |
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